A VOZ DO PASTOR - QUINTA-FEIRA DA OITAVA DA PÁSCOA - 09/04/2026

Nesta quinta-feira da Oitava da Páscoa, a Palavra de Deus nos convida a mergulhar mais profundamente no mistério da Ressurreição, não como uma ideia distante, mas como uma realidade viva que transforma a nossa vida.

Na primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, vemos Pedro cheio do Espírito Santo, anunciando com coragem que aquele homem curado não foi salvo por mérito humano, mas pelo poder de Jesus ressuscitado. Pedro não hesita em dizer ao povo: “Vós matastes o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos”. Essa afirmação é central: a Ressurreição não apaga a cruz, mas revela que o amor de Deus é mais forte do que o pecado e a morte. Ao mesmo tempo, Pedro abre uma porta de esperança: “Arrependei-vos e convertei-vos”. Ou seja, o Ressuscitado não vem para condenar, mas para oferecer um novo começo.

O salmo nos recorda a dignidade do ser humano dentro do plano de Deus: “Que é o homem, para dele assim vos lembrardes?”. À luz da Páscoa, compreendemos ainda mais essa verdade: somos tão amados que Cristo deu a vida por nós e ressuscitou para nos devolver a vida plena.

No Evangelho, encontramos os discípulos ainda assustados, confusos, tentando compreender tudo o que aconteceu. Jesus aparece no meio deles e a primeira palavra é: “A paz esteja convosco”. A Ressurreição traz a paz verdadeira, não a ausência de problemas, mas a certeza de que Deus está presente, vivo, no meio de nós.

Mesmo diante de Jesus, eles duvidam, pensam estar vendo um fantasma. Então o Senhor faz algo muito concreto: mostra as mãos e os pés, come diante deles. Ele quer deixar claro que a Ressurreição não é ilusão, nem fantasia, mas realidade. É o mesmo Jesus, crucificado, agora vivo para sempre.

Depois, Ele abre a inteligência dos discípulos para compreenderem as Escrituras. Isso é fundamental: só à luz da Palavra conseguimos entender o sentido da cruz e da Ressurreição. E mais ainda, Jesus confia a eles uma missão: serem testemunhas. Não apenas espectadores, mas anunciadores da conversão e do perdão dos pecados a todos os povos.

Essa Palavra também nos interpela hoje. Muitas vezes, como os discípulos, também vivemos entre dúvidas, medos e inseguranças. Mas o Ressuscitado continua a se colocar no meio de nós e a dizer: “A paz esteja convosco”. Ele continua mostrando suas chagas — sinais de amor — e nos convida a acreditar.

Somos chamados a passar da incredulidade para a fé, do medo para a coragem, da paralisia para a missão. A experiência do Cristo vivo não pode ser guardada apenas para nós; ela precisa ser anunciada, testemunhada na vida concreta, nas nossas atitudes, nas nossas palavras.

Que nesta Oitava da Páscoa possamos renovar nossa fé na presença viva de Jesus. Que Ele abra nossa inteligência para compreender as Escrituras, aqueça nosso coração e nos envie como testemunhas da sua Ressurreição, levando ao mundo a paz e a esperança que só Ele pode dar.

Assim seja.

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