Hoje a Igreja inteira se alegra ao celebrar a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, e para nós, da Arquidiocese de São Paulo, essa festa tem um significado ainda mais profundo: Maria, elevada ao Céu de corpo e alma, é a nossa padroeira. Ela não é apenas um título ou devoção, mas o sinal vivo da presença materna de Deus entre nós. Sua solenidade deve ser para toda a Arquidiocese um grande sinal de unidade entre o clero, as paróquias, as comunidades e todos os leigos.
A primeira leitura, do Apocalipse, nos apresenta a visão da “mulher vestida de sol, tendo a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”. Essa mulher simboliza a Igreja e, de modo especial, Maria, que gerou o Salvador e enfrentou as forças do mal com a força da fé. Em nossa Arquidiocese, Maria é essa presença que nos une como mãe que reúne os filhos. O inimigo tenta dividir e dispersar, mas a Mãe nos chama a permanecer juntos, firmes em Cristo.
O salmo canta: “À vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de Ofir.” Maria, glorificada no Céu, não se afastou de nós; ao contrário, intercede por nós e nos acompanha como modelo de discípula fiel. Olhar para ela é recordar que nossa vocação é viver unidos na caridade e caminhar juntos rumo ao Reino.
Na segunda leitura, São Paulo nos recorda que Cristo ressuscitado é o primogênito dos que dormem e que todos, em Cristo, terão a vida. Maria já participa plenamente dessa vitória. Ela é o sinal da esperança que nos aguarda. Assim como ela foi glorificada, também nós somos chamados à comunhão eterna com Deus. Essa certeza deve inspirar nossa missão aqui: sermos uma Igreja unida, missionária e fraterna.
No Evangelho, encontramos Maria visitando Isabel. Ela não se fecha em si mesma para gozar sozinha da graça recebida; ao contrário, parte apressadamente para servir. E ali, na casa de Isabel, proclama o Magnificat, exaltando as maravilhas que Deus realiza. A visita de Maria é imagem da própria Igreja que sai ao encontro, e também de uma Arquidiocese que, unida, se coloca a serviço de todos, especialmente dos que mais precisam.
Celebrar a Assunção de Maria, nossa padroeira, é mais do que recordar um privilégio concedido a ela: é assumir o compromisso de viver como família de Deus, superando divisões e fortalecendo a comunhão. A unidade entre o clero, as paróquias, comunidades e leigos não é apenas uma questão de organização pastoral, mas um testemunho vivo do Evangelho. Quando padres e diáconos trabalham em sintonia com seus bispos, quando paróquias se ajudam e não competem, quando comunidades se reconhecem como parte de um mesmo corpo, e quando os leigos assumem seu protagonismo na missão, mostramos ao mundo que Cristo está vivo no meio de nós. A desunião enfraquece a credibilidade da Igreja; a unidade, ao contrário, a torna luz para a cidade.
Peçamos hoje que Nossa Senhora da Assunção, rainha elevada ao Céu, nos ajude a viver essa unidade que agrada a Deus, a comunhão que edifica a Igreja e a missão que transforma a cidade. Que esta solenidade seja para todos nós um chamado concreto: trabalhar, rezar e servir como um só corpo, sob o olhar amoroso da Mãe.
Amém.
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