A VOZ DO PASTOR - HOMILIA DIÁRIA - 25/02/2026


As leituras de hoje nos colocam diante de um chamado muito claro: conversão sincera do coração.

Na primeira leitura, vemos o profeta enviado por Deus à grande cidade de Nínive. Em Livro de Jonas (Jn 3,1-10), Jonas anuncia que a cidade seria destruída por causa de seus pecados. O mais impressionante não é a ameaça, mas a resposta: do rei ao mais simples cidadão, todos acolhem a palavra, fazem penitência e mudam de vida. Não discutem, não relativizam, não adiam. Eles se convertem. E Deus, vendo a sinceridade do coração, suspende o castigo.

O Salmo 50(51) é o grito de quem reconhece sua miséria e confia na misericórdia: “Criai em mim um coração que seja puro”. Não se trata apenas de remorso, mas de transformação interior. Deus não quer aparências religiosas; quer um coração contrito e humilde. O verdadeiro sacrifício é deixar que Ele nos refaça por dentro.

No Evangelho, em Evangelho de Lucas (Lc 11,29-32), Jesus enfrenta uma geração que pede sinais extraordinários. Querem provas, espetáculos, manifestações grandiosas. Mas Ele responde que nenhum sinal lhes será dado, a não ser o sinal de Jonas. Assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, o próprio Cristo é o sinal definitivo para nós.

E aqui está o ponto central: os ninivitas se converteram ouvindo um profeta relutante; nós temos diante de nós algo infinitamente maior — o próprio Filho de Deus. Se eles mudaram de vida com tão pouco, o que estamos fazendo nós, que temos a Palavra, os sacramentos, a Eucaristia?

Jesus também recorda a rainha do Sul, que percorreu longa distância para ouvir a sabedoria de Salomão. Hoje, porém, temos alguém maior que Salomão. Temos o próprio Senhor falando ao nosso coração. A questão não é falta de sinais. É falta de abertura.

A Palavra de Deus não nos é dada para curiosidade, mas para conversão. Não basta admirar Jesus, é preciso decidir-se por Ele. Não basta ouvir, é preciso mudar atitudes concretas: perdoar, abandonar o pecado, reconciliar-se, praticar a caridade, buscar uma vida mais coerente com o Evangelho.

A Quaresma — ou qualquer tempo de graça que vivamos — não é sobre gestos externos vazios. É sobre permitir que Deus crie em nós um coração novo. Se Nínive mudou, nós também podemos mudar. Se Deus teve misericórdia deles, terá de nós.

Que hoje não peçamos mais sinais. Que sejamos o sinal: homens e mulheres convertidos, com o coração renovado, vivendo a misericórdia que recebemos. Porque maior que Jonas está aqui. E Ele continua nos chamando à vida nova.

Assim seja.

Postar um comentário

0 Comentários