As leituras de hoje nos colocam diante de uma verdade simples e, ao mesmo tempo, exigente: Deus escuta o clamor de quem confia n’Ele.
No Livro de Ester (Est 4,17n.p-r.aa-bb.gg-hh), vemos uma mulher frágil aos olhos do mundo, mas imensa na fé. Diante de uma ameaça de morte contra o seu povo, Ester não se apoia primeiro em estratégias humanas, mas se prostra diante de Deus. Ela reconhece sua pequenez, recorda as obras do Senhor na história e suplica com humildade. Sua oração nasce da angústia, mas é sustentada pela confiança. Ester nos ensina que, nas horas decisivas, a primeira atitude do coração crente é rezar. Não uma oração superficial, mas uma oração que brota da consciência de que tudo depende de Deus.
O Salmo 137(138) reforça essa certeza: “Quando gritei, vós me escutastes” (v. 3a). O salmista não fala de um Deus distante, indiferente às lutas humanas. Ele fala de um Deus que responde, que fortalece a alma, que sustenta no meio das tribulações. Mesmo quando caminhamos por vales difíceis, a mão do Senhor nos guia. Essa é a experiência da fé: não a ausência de problemas, mas a presença fiel de Deus no meio deles.
No Evangelho segundo São Mateus (Mt 7,7-12), Jesus nos convida com palavras que parecem simples: “Pedi e vos será dado; procurai e encontrareis; batei e a porta vos será aberta.” Não é uma fórmula mágica, nem uma promessa de que Deus realizará todos os nossos desejos imediatos. É, antes, um chamado à perseverança e à confiança filial.
Jesus nos revela que Deus é Pai. E um pai não dá ao filho uma pedra quando ele pede pão. Se nós, limitados e pecadores, sabemos dar coisas boas aos nossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o que é bom aos que o pedirem. Aqui está o coração da mensagem: Deus não nos dá qualquer coisa, mas o que é verdadeiramente bom, aquilo que nos conduz à vida, à salvação, à maturidade na fé.
Mas o Evangelho não termina na oração. Ele culmina na chamada “regra de ouro”: “Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei-o também a eles.” A verdadeira oração transforma o coração. Quem pede, procura e bate à porta de Deus não pode continuar indiferente ao irmão. A confiança em Deus se traduz em atitudes concretas de justiça, caridade e respeito.
Ester rezou não apenas por si, mas pelo seu povo. O salmista agradece porque experimentou a ação de Deus na própria história. Jesus nos ensina a pedir, mas também a agir com amor. Eis o caminho: oração que gera compromisso, confiança que se transforma em caridade.
Hoje, a Palavra nos convida a rever nossa relação com Deus. Temos pedido com fé? Temos perseverado na oração ou desistimos facilmente? E, sobretudo, aquilo que pedimos a Deus para nós — misericórdia, paciência, perdão — temos oferecido aos outros?
Que aprendamos com Ester a rezar nas horas difíceis. Que façamos nossa a experiência do salmista: “Quando gritei, vós me escutastes.” E que, confiando no Pai, vivamos de tal modo que nossa vida se torne resposta de amor para os irmãos.
Assim seja.

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