Amados irmãos e irmãs,
A Palavra de Deus hoje nos conduz ao coração da nossa relação com o Senhor: a confiança na eficácia da sua Palavra e a intimidade da oração.
O profeta Isaías nos oferece uma imagem belíssima: assim como a chuva e a neve descem do céu e não voltam sem antes fecundar a terra, assim é a Palavra que sai da boca de Deus. Ela não volta vazia. Ela realiza aquilo que o Senhor deseja. Não é palavra frágil, nem discurso vazio. É Palavra criadora, transformadora, eficaz.
Quantas vezes escutamos a Palavra, proclamamos a Palavra, pregamos a Palavra… e podemos ser tentados a pensar: “Será que está dando fruto?” A liturgia de hoje nos responde com firmeza: está sim. Mesmo quando não vemos imediatamente. Mesmo quando o terreno parece seco. Deus está agindo. A sua Palavra sempre fecunda.
O salmo reforça essa certeza: “O Senhor liberta os justos de todas as angústias.” Ele está perto dos corações atribulados. Deus não é indiferente à nossa dor. Ele escuta, acolhe e salva.
E então o Evangelho nos ensina como nos colocar diante desse Deus que fala e que escuta. Jesus nos alerta contra uma oração vazia, mecânica, feita apenas de muitas palavras. Não é a quantidade que toca o coração do Pai. Não é repetir fórmulas como quem tenta convencer um Deus distante.
Jesus nos revela algo profundamente consolador: “Vosso Pai sabe do que precisais, antes mesmo que o peçais.” Nós não rezamos para informar Deus. Rezamos para nos abrir a Ele. A oração não muda Deus; muda o nosso coração.
E então o Senhor nos entrega o Pai-Nosso. Não apenas uma oração para repetir, mas um caminho espiritual.
Começamos chamando Deus de Pai. Não um senhor distante, mas Pai. E não “meu” Pai apenas, mas “nosso”. A oração cristã nunca é egoísta. Ela nos coloca em comunhão.
Pedimos que o nome de Deus seja santificado — primeiro o Reino, primeiro a vontade de Deus, depois as nossas necessidades. E pedimos o pão de cada dia: o pão material, mas também o pão da Palavra, o pão da Eucaristia, o pão da esperança.
E há um ponto decisivo: “Perdoai-nos assim como nós perdoamos.” Jesus é muito claro: a medida do perdão que recebemos passa pelo perdão que oferecemos. Não existe vida cristã sem reconciliação. Guardar rancor é fechar o coração para a graça.
Hoje a Palavra nos ensina três atitudes: confiar na eficácia do que Deus diz, rezar com simplicidade e viver o perdão concretamente.
Talvez você esteja esperando uma resposta de Deus. Talvez esteja lutando com alguém que ainda não conseguiu perdoar. Talvez esteja rezando e achando que nada muda. A liturgia de hoje diz: a Palavra está agindo. Continue confiando. Continue rezando. Continue perdoando.
A chuva cai silenciosa, mas transforma a terra. Assim é a graça de Deus na nossa vida.
Que aprendamos a rezar como filhos, a confiar como quem sabe que Deus é fiel, e a viver como quem foi alcançado por uma Palavra que nunca volta vazia.
Assim seja.

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