As leituras de hoje nos colocam diante de uma verdade exigente e, ao mesmo tempo, profundamente concreta: a santidade não é algo distante, abstrato ou reservado a poucos. Ela se mede no amor vivido no dia a dia.
No livro do Levítico (Lv 19,1-2.11-18), o Senhor diz: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo”. E logo em seguida apresenta mandamentos muito práticos: não roubar, não mentir, não oprimir o próximo, não guardar ódio no coração, amar o próximo como a si mesmo. A santidade, portanto, passa pelas relações. Não é apenas rezar muito, mas viver corretamente, com justiça, misericórdia e verdade.
O salmo (Sl 18/19) nos recorda que a Palavra do Senhor é perfeita, reta, pura. Ela ilumina os olhos e alegra o coração. Não é um peso, mas uma luz que orienta nossos passos. Quando deixamos a Palavra moldar nossas atitudes, ela nos conduz a uma vida que agrada a Deus.
No Evangelho (Mt 25,31-46), Jesus nos apresenta o juízo final. A cena é forte: o Filho do Homem separa as ovelhas dos cabritos. E o critério é claro — o que fizemos ou deixamos de fazer aos pequenos. “Tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era estrangeiro e me acolhestes; estava nu e me vestistes; doente e preso e fostes me visitar.”
O que impressiona é que os justos perguntam: “Senhor, quando foi que te vimos?” Eles não sabiam que estavam servindo ao próprio Cristo. Isso nos ensina que cada gesto de amor, cada atitude concreta de caridade, é encontro real com Jesus. Ele se identifica com os mais necessitados.
Não basta dizer que amamos a Deus se fechamos o coração ao irmão. Não é suficiente conhecer a lei, é preciso vivê-la. A santidade que Deus nos pede é uma santidade encarnada, que passa pelas mãos que ajudam, pelos pés que vão ao encontro, pela boca que consola, pelo coração que perdoa.
O Evangelho também é um alerta sério: a omissão pesa. Não é apenas o mal que condena, mas o bem que deixamos de fazer. Quantas vezes temos oportunidade de ajudar e preferimos a indiferença? Quantas vezes vemos a necessidade do outro e pensamos que não é problema nosso?
Hoje, a Palavra nos chama a um exame de consciência sincero. Onde está o meu coração? Tenho reconhecido Cristo nos pobres, nos doentes, nos esquecidos? Tenho vivido a santidade nas pequenas escolhas diárias?
Peçamos ao Senhor a graça de um coração sensível, atento e generoso. Que a Eucaristia que celebramos nos fortaleça para reconhecer Jesus no irmão. E que, no dia em que estivermos diante d’Ele, possamos ouvir com alegria: “Vinde, benditos de meu Pai”, porque aprendemos a amar não apenas com palavras, mas com a vida.

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