A VOZ DO PASTOR - HOMILIA DIÁRIA - 21/02/2026

As leituras de hoje nos conduzem a um chamado muito concreto: viver uma fé que transforma a vida, que toca as atitudes e que se manifesta na misericórdia.

Na primeira leitura, o profeta Isaías nos recorda que Deus não quer apenas práticas exteriores, mas um coração convertido. “Se eliminares do meio de ti a opressão, o gesto ameaçador e a linguagem maldosa… então brilhará tua luz nas trevas.” O jejum que agrada ao Senhor não é somente deixar de comer, mas deixar de ferir; não é apenas cumprir um rito, mas romper com o pecado, com a injustiça, com aquilo que afasta o irmão.

O profeta é direto: quando aprendemos a cuidar do outro, a socorrer o aflito, a respeitar o dia do Senhor e colocar Deus no centro, então experimentamos sua presença viva. Ele promete: “O Senhor te conduzirá sempre.” É uma fé que se traduz em compromisso, em mudança concreta de vida.

O salmo é a oração humilde de quem reconhece sua necessidade de Deus: “Ensinai-me vosso caminho, Senhor, para que eu caminhe na vossa verdade.” É o clamor de quem sabe que não basta saber o que é certo — é preciso aprender a viver segundo a vontade de Deus. E essa aprendizagem passa pela escuta, pela humildade e pela confiança.

No Evangelho, vemos Jesus colocar tudo isso em prática. Ele chama Levi, um cobrador de impostos, alguém visto como pecador público. Jesus não olha para o passado de Levi, mas para o futuro que ele pode ter. E o chamado é simples e transformador: “Segue-me.” Levi se levanta, deixa tudo e segue Jesus.

Aqui está a força da misericórdia. Jesus não espera que Levi mude para depois chamá-lo; Ele chama para que Levi mude. E mais: senta-se à mesa com publicanos e pecadores. Para os fariseus, isso era escandaloso. Para Jesus, era missão. “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores para a conversão.”

A Quaresma nos coloca exatamente diante disso: reconhecer que somos doentes que precisam de cura. Que também somos Levi. Que também precisamos nos levantar. O pior pecado não é ser fraco; é achar que não precisamos de Deus.

Hoje, o Senhor passa diante de nós e diz: “Segue-me.” Talvez estejamos acomodados, presos a hábitos, a pecados antigos, a desculpas repetidas. Mas o chamado continua atual. Seguir Jesus significa levantar-se interiormente, romper com aquilo que nos escraviza e permitir que a misericórdia transforme nossa história.

Que nesta caminhada quaresmal, aprendamos o verdadeiro jejum: o jejum da indiferença, da crítica, da dureza de coração. E que, como Levi, tenhamos coragem de deixar o que nos afasta de Deus para sentar-nos à mesa com Cristo, onde encontramos perdão, cura e vida nova.

Que o Senhor nos ensine seu caminho e nos dê um coração decidido a segui-Lo.

Assim seja.

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