A VOZ DO PASTOR - HOMILIA DIÁRIA - 06/03/2026


As leituras de hoje nos colocam diante de uma realidade dura, mas profundamente atual: a rejeição daquele que Deus envia.

Na primeira leitura, do livro do Gênesis, contemplamos a história de José, filho de Jacó. José era o filho amado, o preferido, e por isso mesmo tornou-se alvo da inveja e do ódio de seus irmãos. A túnica que simbolizava o amor do pai despertou neles sentimentos de rejeição. Movidos pela inveja, tramaram sua morte e, depois, venderam-no como escravo. José foi traído pelos próprios irmãos.

No entanto, aquilo que parecia derrota, humilhação e fracasso, Deus transformou em caminho de salvação. José, vendido e rejeitado, tornar-se-á instrumento de vida para o seu povo. O Salmo recorda: “Lembrai sempre as maravilhas do Senhor”. Deus escreve certo por linhas tortas. Ele não abandona seus escolhidos, mesmo quando passam pela provação.

No Evangelho, Jesus conta a parábola dos vinhateiros homicidas. O proprietário da vinha envia seus servos para recolher os frutos, mas eles são espancados, apedrejados e mortos. Por fim, envia o próprio filho, pensando: “Ao meu filho respeitarão”. Mas os vinhateiros dizem: “Este é o herdeiro. Vamos matá-lo!”. E o matam.

A mensagem é clara: Jesus é o Filho enviado pelo Pai. Como José, Ele é o amado. Como José, Ele é rejeitado pelos seus. A história de José é figura da história de Cristo. Aquilo que começou com inveja termina com violência. A cruz é a consequência da rejeição ao Filho.

Mas também aqui Deus transforma o mal em bem. A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular. A morte de Cristo não é o fim, mas o início de uma nova construção: o Reino de Deus entregue a um povo que produza frutos.

A Palavra de hoje nos convida a um exame de consciência. Não somos apenas espectadores dessa história. Muitas vezes, também nós rejeitamos o Filho. Rejeitamos quando fechamos o coração à Palavra, quando preferimos nossos interesses ao projeto de Deus, quando deixamos a inveja, o orgulho e a dureza tomarem conta de nós.

A vinha é o mundo, é a Igreja, é a nossa própria vida. Deus nos confiou tudo isso para que produzamos frutos de justiça, amor, misericórdia e fidelidade. Ele espera frutos. Não podemos nos apropriar da vinha como se fosse nossa, esquecendo que somos apenas administradores.

A Quaresma é tempo de conversão. É tempo de reconhecer se temos produzido frutos ou se temos resistido à ação de Deus. É tempo de acolher o Filho, de reconhecer que Ele é a pedra angular da nossa vida.

Que não repitamos a história da rejeição, mas escolhamos o caminho da acolhida. Que, unidos a Cristo, mesmo nas provações, confiemos que Deus sempre transforma o sofrimento em salvação. E que a nossa vida produza os frutos que o Senhor espera de nós.

Assim seja.

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