Na primeira leitura, vemos Pedro e João subindo ao Templo e encontrando um homem paralítico, que todos os dias era colocado à porta para pedir esmola. Aquele homem esperava apenas algo material, algo imediato. Mas Pedro lhe oferece muito mais: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho te dou: em nome de Jesus Cristo, levanta-te e anda”. E o milagre acontece. Aquele que antes estava preso à sua condição agora se levanta, caminha, salta e louva a Deus.
Esse episódio revela uma verdade fundamental: a força da Ressurreição continua operando na Igreja. Quando tudo parece limitado, quando não temos recursos humanos suficientes, é o poder do nome de Jesus que realiza o essencial. Muitas vezes também nós nos colocamos como mendigos da vida, esperando pequenas soluções, quando Deus quer nos dar uma transformação profunda e verdadeira.
No Evangelho, encontramos os discípulos de Emaús, desanimados e tristes. Eles caminhavam afastando-se de Jerusalém, lugar da esperança, porque não conseguiram compreender os acontecimentos da cruz. Para eles, tudo parecia perdido. Jesus se aproxima, caminha com eles, escuta suas angústias e começa a explicar as Escrituras. Mas eles ainda não o reconhecem.
Quantas vezes também nós caminhamos assim: tristes, confusos, sem perceber que o próprio Cristo está ao nosso lado. Ele fala conosco na Palavra, ilumina nossa história, mas nosso coração, às vezes, está fechado ou distraído.
O ponto decisivo acontece quando Jesus parte o pão. Nesse gesto, os olhos dos discípulos se abrem, e eles o reconhecem. É na Eucaristia que Cristo se revela plenamente. E, imediatamente, aqueles discípulos voltam para Jerusalém. A tristeza dá lugar à alegria, o desânimo se transforma em missão.
A liturgia de hoje nos mostra dois movimentos: o homem paralítico que se levanta e volta à vida, e os discípulos de Emaús que se levantam interiormente e retornam à comunidade. A Ressurreição gera sempre esse dinamismo: quem encontra Cristo não permanece parado, nem na tristeza, nem na acomodação.
Peçamos a graça de reconhecer Jesus vivo em nossa caminhada diária, na Palavra, na Eucaristia e nos irmãos. Que, como o paralítico, possamos nos levantar de tudo aquilo que nos prende. E, como os discípulos de Emaús, que nosso coração volte a arder, levando-nos de volta à comunidade e ao anúncio: o Senhor verdadeiramente ressuscitou e está vivo entre nós.
Assim seja.

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