Na primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, vemos São Pedro anunciar com coragem: “Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes.” Essas palavras tocam profundamente o coração dos ouvintes. Eles se sentem interpelados, reconhecem o próprio pecado e perguntam: “O que devemos fazer?” Esta pergunta é também nossa. Diante da Ressurreição, não podemos permanecer indiferentes. A resposta de Pedro é clara: “Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo.” A conversão é o caminho para acolher plenamente a vida nova que brota da Páscoa. E o fruto dessa conversão é uma vida renovada, marcada pela graça e pela comunhão com Deus.
O salmo reforça essa confiança: “Transborda em toda a terra a bondade do Senhor.” A Ressurreição é a maior prova dessa bondade. Deus não nos abandona, mesmo diante do pecado e da morte. Ele permanece fiel, sustenta os que nele esperam e oferece vida aos que nele confiam.
No Evangelho, contemplamos a figura de Maria Madalena junto ao túmulo. Ela está chorando, mergulhada na dor da perda. Mesmo diante do túmulo vazio, ainda não compreende o que aconteceu. Quantas vezes também nós, mesmo diante dos sinais de Deus, permanecemos presos à tristeza, à dúvida ou ao medo.
Mas tudo muda quando Jesus a chama pelo nome: “Maria!” Neste instante, ela reconhece o Senhor. O Ressuscitado não se revela apenas por sinais exteriores, mas no encontro pessoal, íntimo. Ele nos conhece pelo nome, conhece nossa história, nossas dores e nossas esperanças. E é nesse encontro que nasce a fé verdadeira.
Maria Madalena, transformada por esse encontro, torna-se a primeira anunciadora da Ressurreição: “Eu vi o Senhor!” Eis o caminho do discípulo: encontrar-se com Cristo vivo e anunciá-lo com alegria.
Nesta Oitava da Páscoa, somos convidados a fazer essa mesma experiência: deixar que o Senhor nos chame pelo nome, permitir que Ele transforme nossas tristezas em esperança e assumir com coragem a missão de testemunhar que Ele está vivo.
Que, como aqueles que ouviram Pedro, também nós acolhamos o chamado à conversão. E que, como Maria Madalena, possamos reconhecer o Senhor em nossa vida e anunciá-lo ao mundo com alegria: Cristo ressuscitou, verdadeiramente ressuscitou! Aleluia.
Assim seja.

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