A VOZ DO PASTOR - SÁBADO DA OITAVA DA PÁSCOA - 11/04/2026


A liturgia deste sábado da Oitava da Páscoa nos coloca diante de um contraste muito forte: de um lado, a coragem dos apóstolos; de outro, a incredulidade e a dureza de coração daqueles que ainda não conseguem acolher a Ressurreição.

Na primeira leitura, vemos Pedro e João diante das autoridades. Aqueles homens simples, antes medrosos, agora falam com firmeza e sem temor. A razão é clara: eles estiveram com Jesus e foram transformados pela experiência do Ressuscitado. Mesmo ameaçados, não podem se calar: “Não podemos deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos”. A fé verdadeira não se esconde, não se negocia, não se adapta por medo. Quem encontrou Cristo vivo sente dentro de si uma força que o impulsiona a testemunhar.

O salmo é um canto de vitória e gratidão: “Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes”. É o louvor de quem reconhece que Deus transforma a dor em alegria, a derrota em vitória. É a experiência pascal: a pedra rejeitada tornou-se a pedra angular. A cruz não foi o fim, mas o caminho para a vida nova.

No Evangelho, porém, encontramos uma realidade diferente: Jesus aparece aos discípulos e os repreende pela incredulidade e dureza de coração. Mesmo tendo ouvido testemunhos, eles resistem em acreditar. Isso revela que a fé não nasce automaticamente; ela exige abertura interior, disposição para acolher o novo de Deus.

Mas, apesar da fraqueza dos discípulos, Jesus não desiste deles. Ao contrário, confia-lhes uma missão grandiosa: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura”. É impressionante: o Senhor envia justamente aqueles que vacilaram. Isso nos mostra que a missão não depende da perfeição humana, mas da graça de Deus.

Essa Palavra nos interpela profundamente. Também nós, muitas vezes, oscilamos entre a fé e a dúvida, entre a coragem e o medo. Porém, assim como os apóstolos, somos chamados a deixar-nos transformar pela presença do Ressuscitado. Não podemos guardar para nós essa experiência. O mundo precisa do testemunho de quem viu, ouviu e acreditou.

Celebrando ainda a alegria da Páscoa, peçamos ao Senhor um coração firme na fé, livre do medo e da incredulidade. Que, como Pedro e João, tenhamos coragem de anunciar, e que, mesmo com nossas limitações, sejamos fiéis à missão que nos foi confiada: levar ao mundo a certeza de que Cristo vive e caminha conosco.

Assim seja.

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