A VOZ DO PASTOR - HOMILIA DIÁRIA 13/08/2025


Queridos irmãos e irmãs,

Hoje celebramos a memória de Santa Dulce dos Pobres, a “boa samaritana da Bahia”, exemplo luminoso de caridade e entrega total aos mais necessitados. Sua vida é um testemunho vivo de que o amor a Deus se expressa concretamente no amor aos irmãos, especialmente os mais frágeis e esquecidos.

A primeira leitura, do livro do Deuteronômio, nos apresenta o final da missão de Moisés. Ele contempla a Terra Prometida, mas não entra nela. Sua vida foi marcada por obediência, coragem e fidelidade ao chamado de Deus, conduzindo o povo até o limite que lhe foi permitido. Moisés não viveu para si mesmo, mas para a missão que lhe foi confiada. Assim também foi a vida de Santa Dulce: não buscou recompensas pessoais, mas gastou-se inteiramente para levar dignidade e esperança a tantos que a sociedade descartava.

O salmo nos convida a aclamar a Deus por suas obras e a contar aos outros o que Ele fez por nós. A vida de Santa Dulce foi um anúncio silencioso e eficaz do Evangelho. Ela não precisava de grandes discursos: suas obras de misericórdia eram o próprio louvor a Deus, revelando que a santidade se constrói na prática diária do bem.

No Evangelho, Jesus nos ensina o caminho da correção fraterna: diante de um irmão que erra, devemos nos aproximar com amor, dialogar, buscar reconciliação, envolver a comunidade quando necessário, e nunca agir movidos por condenação, mas por desejo de salvação. Santa Dulce viveu isso de modo radical. Ela não fechava os olhos para o erro, mas olhava cada pessoa com misericórdia. Mesmo quando não havia mudança imediata, ela continuava acreditando na dignidade e no valor daquele que sofria.

Há uma frase famosa atribuída a ela: “O que importa na vida é quanto amor você dedicou aos outros e com quanto carinho fez isso.” Essa é a essência do Evangelho de hoje: amar a ponto de querer salvar o irmão, não perdê-lo.

Queridos irmãos, a vida de Santa Dulce dos Pobres é um chamado para nós. Talvez não possamos fundar obras sociais como ela, mas podemos viver a caridade no nosso cotidiano: na escuta paciente, no perdão, na partilha, na atenção ao pobre que cruza nosso caminho. Como Moisés, sejamos fiéis até o fim da missão que Deus nos deu; como Santa Dulce, sejamos instrumentos de paz e misericórdia; e como nos ensina Jesus, procuremos sempre o reencontro e a reconciliação.

Que Santa Dulce interceda por nós, para que tenhamos um coração capaz de amar sem medidas e uma vida que fale mais do que nossas palavras.

Amém.

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