A VOZ DO PASTOR - HOMILIA DIÁRIA 15/08/2025


Queridos irmãos e irmãs,

A liturgia de hoje nos conduz a refletir sobre a fidelidade de Deus e o chamado à nossa fidelidade a Ele, seja na vida pessoal, seja nas relações humanas, especialmente no matrimônio.

Na primeira leitura, Josué reúne todas as tribos de Israel e recorda a história da salvação, desde Abraão até a entrada na Terra Prometida. É um verdadeiro ato de memória e gratidão: tudo o que o povo é e possui não veio de suas próprias forças, mas da mão generosa de Deus. Essa recordação não é apenas nostalgia; é uma convocação à fidelidade. Josué quer que o povo reconheça: “Foi o Senhor quem fez tudo por nós”.

Também nós precisamos desse exercício de memória espiritual: olhar para trás e perceber quantas vezes Deus nos sustentou, nos libertou, nos guiou. Quem se esquece da história da graça corre o risco de se afastar da Aliança. A gratidão nos mantém firmes na fé.

O salmo 135 nos ajuda a fazer esse louvor de forma orante: “Eterna é a sua misericórdia!” É como se cada versículo fosse um tijolo na construção da nossa confiança em Deus. Ele não é fiel por um momento apenas; sua fidelidade é para sempre.

No Evangelho, Jesus é questionado pelos fariseus sobre o divórcio. Sua resposta remete “ao princípio”: o projeto original de Deus para o homem e a mulher é de comunhão indissolúvel, de entrega recíproca, de amor fiel. Não se trata apenas de uma norma jurídica, mas de uma realidade profundamente espiritual: o matrimônio é sinal do amor de Deus, que não abandona, que não “desiste” da sua aliança com o povo.

A fidelidade matrimonial, assim como a fidelidade a Deus, não é sustentada apenas por sentimentos passageiros, mas por uma decisão livre e perseverante, alimentada pela graça. É uma resposta ao amor primeiro de Deus.

A ligação entre as leituras é clara: assim como Deus foi fiel à aliança com Israel, somos chamados a ser fiéis às alianças que assumimos — com Ele, com o próximo, com o cônjuge. E essa fidelidade não é um peso, mas um caminho de plenitude, pois o próprio Senhor caminha conosco para sustentar nossos passos.

Que hoje possamos renovar nossa gratidão pela história de salvação que Deus escreve em nossa vida e pedir a graça de sermos fiéis, como Ele é fiel. E que, na vida matrimonial ou na vida consagrada, aprendamos a viver a aliança como reflexo do amor eterno do Senhor.

Amém.

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