No Evangelho, Jesus se apresenta como a porta das ovelhas. Não apenas um guia externo, mas o próprio acesso à vida plena: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Ele é a porta que conduz à salvação, à liberdade e à comunhão com Deus. Diferente dos ladrões e assaltantes — imagem daqueles que exploram, confundem ou desviam o povo — Cristo é o pastor legítimo, que chama cada ovelha pelo nome. Há aqui um chamado pessoal, íntimo: Deus nos conhece profundamente e deseja uma relação viva conosco.
A primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, mostra o efeito desse anúncio na vida da comunidade nascente. Após o discurso de Pedro, muitos se sentem tocados no coração e perguntam: “Que devemos fazer?” A resposta é clara: conversão, batismo e acolhida do dom do Espírito Santo. Eis o caminho para reconhecer a voz do Bom Pastor: abrir-se à graça, deixar-se transformar, entrar no rebanho de Cristo que é a Igreja. A salvação não é algo abstrato, mas uma experiência concreta de adesão a Jesus e à sua comunidade.
O Salmo 22(23) ecoa como uma profissão de confiança: “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará”. Ele nos conduz por caminhos seguros, mesmo quando atravessamos vales sombrios. Esta é a certeza pascal: o Ressuscitado caminha conosco, sustenta-nos nas provações e prepara para nós a mesa da vida.
Na segunda leitura, São Pedro retoma a imagem de Cristo como pastor e guardião das nossas almas, destacando o seu sofrimento redentor. Ele, inocente, assumiu nossas dores, para que, por suas chagas, fôssemos curados. Aqui encontramos o modelo do verdadeiro pastoreio: não o domínio, mas a entrega; não a imposição, mas o amor que se doa até o fim.
Diante dessa Palavra, somos convidados a nos perguntar: temos reconhecido a voz do Bom Pastor em nossa vida? Em meio a tantas vozes que disputam nossa atenção, somos chamados ao discernimento, à escuta atenta da Palavra de Deus, à fidelidade ao Evangelho. Seguir Cristo exige confiança, docilidade e perseverança.
Ao mesmo tempo, este domingo nos recorda a importância de rezarmos pelas vocações, especialmente aquelas ao ministério ordenado. A Igreja necessita de pastores segundo o coração de Cristo, que conduzam o rebanho com sabedoria, humildade e amor.
Que, alimentados pela Eucaristia, possamos renovar nossa adesão ao Bom Pastor, certos de que, guiados por Ele, jamais nos perderemos, mas encontraremos a vida em plenitude.
Assim seja.

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