Amados irmãos e irmãs,
A liturgia deste 3º Domingo da Páscoa nos reúne como discípulos a caminho, sustentados pela certeza de que o Senhor ressuscitado está vivo e caminha conosco, mesmo quando nossos olhos ainda não são capazes de reconhecê-Lo.
Na primeira leitura, vemos São Pedro Apóstolo levantar-se com coragem para anunciar o mistério pascal. Ele proclama que Jesus, entregue segundo o desígnio de Deus, foi ressuscitado, e que todos são chamados a reconhecer n’Ele o Senhor da vida. Aquele que antes temia, agora fala com autoridade, pois experimentou a força transformadora da Ressurreição. Assim também a Igreja, movida pelo Espírito, continua a anunciar que a morte não tem a última palavra.
O salmo nos faz rezar com confiança: “Vós me ensinais vosso caminho para a vida”. A experiência pascal é justamente esta: descobrir que, mesmo nas sombras, Deus nos conduz à vida plena e não abandona aqueles que n’Ele esperam.
Na segunda leitura, somos convidados a viver com santo temor, conscientes de que fomos resgatados pelo sangue precioso de Cristo. Não pertencemos mais ao vazio de uma vida sem sentido, mas fomos inseridos numa nova existência, marcada pela esperança e pela fidelidade. A Ressurreição ilumina toda a nossa história e nos chama a uma vida nova, coerente com o dom recebido.
No Evangelho, o caminho dos discípulos de Emaús é também o nosso caminho. Eles partem desiludidos, carregando no coração a dor da cruz e a frustração das expectativas. Mas o Senhor se aproxima, caminha com eles e, pouco a pouco, reacende a chama da fé. Ele explica as Escrituras e faz arder o coração; depois, ao partir o pão, revela sua presença.
Este itinerário é profundamente litúrgico: escutamos a Palavra, que ilumina nossa vida, e participamos da fração do pão, onde Cristo se dá a conhecer. Cada Eucaristia é um novo Emaús, onde o Ressuscitado nos encontra, nos instrui e se entrega a nós.
Ao reconhecerem o Senhor, os discípulos não permanecem no mesmo lugar. Levantam-se e retornam à comunidade, tornando-se testemunhas daquilo que viram e experimentaram. A verdadeira experiência pascal nos tira da estagnação e nos envia em missão.
Peçamos, portanto, a graça de reconhecer o Senhor em nossa caminhada cotidiana, de escutar sua Palavra com o coração aberto e de participar com fé viva da Eucaristia. Que nossos olhos se abram, que nosso coração se inflame e que nossa vida se torne anúncio vivo da Ressurreição.
Assim seja.

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