Na primeira leitura, o profeta Ezequiel fala a um povo ferido pelo exílio, dividido e sem esperança. É nesse contexto que Deus anuncia: “Eu vou reunir meus filhos de todos os lugares e farei deles um só povo”. Não se trata apenas de um retorno geográfico, mas de uma restauração profunda: Deus quer refazer a unidade, curar as divisões e estabelecer uma aliança eterna. O povo que estava espalhado e desfigurado pelo pecado será novamente conduzido, purificado e habitado pela presença de Deus.
Essa promessa encontra eco no Evangelho. Após a ressurreição de Lázaro, muitos começam a crer em Jesus, mas outros, tomados pelo medo, decidem condená-lo à morte. Aqui aparece o drama humano: diante da vida que Deus oferece, alguns acolhem, outros rejeitam. As autoridades religiosas, preocupadas com a perda de poder e com possíveis consequências políticas, preferem eliminar Jesus a reconhecer nele o enviado de Deus.
É nesse momento que o sumo sacerdote Caifás pronuncia, sem perceber, uma profecia: “É melhor que um só homem morra pelo povo do que pereça a nação inteira”. O que era cálculo político torna-se anúncio do plano de salvação. Jesus morrerá, sim, mas não por interesse humano: Ele entrega a vida para reunir os filhos de Deus dispersos.
Aqui está o ponto central que une as leituras: Deus quer reunir. Ele não se conforma com a divisão, com a dispersão, com a morte. Em Jesus, essa promessa se realiza plenamente. A cruz, que parecia derrota, torna-se o lugar da reunião: ali, Deus reconcilia a humanidade consigo e entre si.
Também hoje vivemos em um mundo marcado por divisões: nas famílias, nas comunidades, na sociedade. Quantas vezes também nós nos afastamos, nos fechamos, nos dividimos por orgulho, interesses ou falta de perdão. A Palavra nos lembra que Deus trabalha na direção contrária: Ele reúne, reconcilia, reconstrói.
A proximidade da Páscoa nos convida a tomar uma decisão. Diante de Jesus, não podemos ficar neutros. Ou nos abrimos à sua proposta de vida, permitindo que Ele nos una e transforme, ou permanecemos fechados, como aqueles que, mesmo vendo os sinais, decidiram rejeitá-lo.
Peçamos a graça de acolher Jesus como aquele que nos reúne. Que Ele cure nossas divisões, nos reconcilie com Deus e com os irmãos, e faça de nós um só povo, vivendo na paz, na unidade e na fidelidade à sua aliança.
Assim seja.

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