Na primeira leitura, o profeta Isaías transmite uma palavra de consolação ao povo que vivia a experiência do exílio e do sofrimento. Deus promete um tempo novo: “No tempo favorável eu te ouvi, no dia da salvação eu te socorri”. O Senhor se apresenta como aquele que reconstrói, que restaura e que conduz seu povo novamente à vida. Ele promete libertação aos prisioneiros, luz aos que estão nas trevas e alimento aos que caminham no deserto da vida.
Entretanto, diante das dificuldades, o povo chega a pensar que Deus o abandonou: “O Senhor me abandonou, o Senhor se esqueceu de mim”. Quantas vezes também nós sentimos isso em nossa própria vida! Quando enfrentamos dores, fracassos, doenças ou injustiças, podemos ter a impressão de que Deus está distante ou silencioso.
Mas a resposta de Deus é cheia de ternura: “Pode uma mãe esquecer-se do filho que amamenta? Mesmo que ela se esqueça, eu não me esquecerei de ti”. É uma das imagens mais belas da Bíblia. O amor de Deus é mais forte do que o amor de uma mãe por seu filho. Ou seja, Deus jamais abandona o seu povo. Mesmo quando não percebemos, Ele continua cuidando, conduzindo e sustentando nossa história.
O salmo de hoje reforça essa certeza ao proclamar: “O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de amor”. Deus é aquele que sustenta os que vacilam e levanta os que caem. Ele está próximo de todos os que o invocam com sinceridade.
No Evangelho, Jesus aprofunda ainda mais essa revelação. Depois de ter curado um paralítico no sábado, Ele é questionado pelas autoridades religiosas. A resposta de Jesus revela sua identidade e sua missão: “Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho”.
Jesus mostra que a ação de Deus não para. O Pai continua agindo no mundo, gerando vida, salvando e restaurando. E o Filho participa plenamente dessa obra. Tudo o que Jesus faz está em profunda comunhão com o Pai. Ele mesmo afirma: “O Filho nada pode fazer por si mesmo; ele faz apenas o que vê o Pai fazer”.
Essa unidade entre o Pai e o Filho revela o coração da missão de Jesus: comunicar vida. Ele diz que, assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, também o Filho dá vida a quem ele quer. Trata-se, antes de tudo, da vida nova que nasce da fé, da conversão e do encontro com Cristo.
Jesus afirma ainda algo muito importante: quem escuta sua palavra e acredita naquele que o enviou já passou da morte para a vida. Isso significa que a vida eterna não começa apenas depois da morte; ela começa já agora, quando acolhemos a Palavra de Deus e permitimos que ela transforme nosso coração.
Portanto, as leituras de hoje nos convidam a três atitudes fundamentais. Primeiro, confiar na fidelidade de Deus, mesmo nos momentos difíceis da vida. Segundo, reconhecer que Deus nunca nos abandona e que seu amor é mais forte que qualquer sofrimento. E terceiro, escutar a palavra de Jesus e viver em comunhão com Ele, pois é Ele quem nos conduz da morte para a vida.
Peçamos ao Senhor que fortaleça nossa fé, para que nunca duvidemos de seu amor. E que, acolhendo a palavra de Cristo, possamos experimentar já agora a vida nova que Deus deseja para todos nós.
Assim seja.

0 Comentários